Coragem, coronavírus e essa tal de sustentabilidade

Quando criança vi uma cena na TV que me impactou muito. Havia um ativista do Greenpeace pulando em uma baleia enorme que estava sendo pega por um navio que caçava baleias. Isso foi na década de 80. Hoje, ainda bem, a caça é proibida em muitos países e no Brasil também.

Essa cena me deixou muito emocionada, vi a coragem de um homem em pular em cima de uma baleia para salvá-la da extinção, enfrentando um navio de caça enorme e com homens armados. Achei incrivelmente lindo essa ação do Greenpeace que despertou em mim, um sentimento que não conhecia, a capacidade de desbravar, de ter coragem para enfrentar qualquer situação.

Fiquei com vontade de ter essa mesma atitude, de enfrentar os desafios, sem medo. Naquela época eu era criança, talvez fosse mais fácil ter a coragem. E a minha inspiração foi tanta que quando criança criei um clube com minhas amigas para defender a natureza, aqui já se mostrava indícios do que eu iria defender no futuro.

Aquela sementinha plantada foi o início de algo que não imaginaria que levaria para vida adulta, trabalhar com sustentabilidade, aliás, nem conhecia essa palavra. Fui conhecer muitos anos mais tarde e após anos trabalhando com o tema e pesquisando posso dizer que conheço muito bem, mas ainda não conheço tudo, ninguém conhece tudo sobre sustentabilidade.

O conceito de sustentabilidade já foi muito debatido, mas ele começou no final dos anos 80 quando Gro Harlem Brundtland falou a primeira vez no conceito de desenvolvimento sustentável.

O que você pensa quando falam de sustentabilidade?

a)      Em monte de gente abraçando árvore

b)     Apenas pessoas em estilo bicho grilo (hippies)

c)      Intelectuais filosofando

d)     Floresta Amazônica

Vou te decepcionar! Sustentabilidade pode ser essas alternativas também, mas é muito mais, é um conceito abrangente e em constante construção, sabe por quê? Porque antes eu tinha uma visão mais cartesiana, achava que sustentabilidade estava ligada a projetos e processos, mas descobri que sustentabilidade é muito mais do que isso, é algo ligado as pessoas, a sua consciência e onipresença no Planeta Terra.

O que podemos transformar?

A pandemia do coronavírus mostrou o quanto estamos inconscientes sobre nossas relações com o planeta, e não falo apenas do meio ambiente e da poluição, falo do nosso papel individual no meio de tudo isso.

Em 2017, o economista norte-americano Richard Thaler recebeu o prêmio Nobel de Economia por sua tese de economia comportamental que fala sobre o quanto o comportamento dos indivíduos afeta o crescimento econômico e que isso não pode ser previsto pelas teorias econômicas clássicas.

O coronavírus e o isolamento social transformou todo nosso comportamento que acabou afetando a economia, positivamente para uns mercados e negativamente para os outros. E quem poderia prever essa alteração? Os economistas clássicos não puderam prever esse acontecimento.

A sociedade como conhecemos atualmente é resultado dessas mudanças de comportamento das pessoas, e se as pessoas conseguem mudar para se adaptar a uma pandemia, porque não mudam para se adaptar para um mundo mais sustentável?

Thaler fala sobre o “nudge”, o gatilho para mudanças, aquilo que pode influenciar as decisões. A pandemia do coronavírus é o gatilho para mudanças profundas no comportamento da sociedade.

2020 é o ano do pensamento sistêmico. Nunca pensamos tanto em nossa capacidade de interagir e quanto a colaboração de cada um faz o sistema mudar. O nascimento dessa mentalidade, ou melhor a conscientização dessa mentalidade, é um grande passo para a sustentabilidade.

Hoje, aquela menina sonhadora e corajosa, leva para a sala de aula tudo que a aprendeu e viveu sobre sustentabilidade, e um dos principais valores da sustentabilidade é esse pensamento abrangente que não olha apenas para o próprio umbigo, mas que olha cada um como parte importante do todo.

Um movimento iniciado em 2007, chamado Capitalismo Consciente, fala dessa cultura consciente e de um propósito maior das empresas, muito diferente do que propõe o capitalismo tradicional, no qual estamos inseridos. A proposta do movimento, que tem sede no Brasil também, é transformar o jeito de fazer investimentos e negócios e traz o pensamento sistêmico.

Podemos entender que há alguns anos, muitos pesquisadores e estudiosos já avaliavam que havia uma necessidade de mudanças substanciais na forma como vivemos e consumimos, mas até então, só havia poucas pessoas tentando essas mudanças, procurando aprender e disseminar uma nova cultura. O que está acontecendo agora é que um vírus muito perigoso e altamente transmissível mudou todo o contexto global.

Esse vírus deu um choque de realidade em todo mundo, mesmo em pessoas, governos e empresas que nunca pensaram na temática da sustentabilidade e o quanto precisavam para ser socialmente e ambientalmente responsável. O que estava caminhando a passos de formiga, teve que se transformar em carro de Fórmula 1 e correr a 300 km por hora.

O coronavírus, a pandemia e o isolamento social nos ensinam é que é preciso ter coragem, aceitar a mudança e começar a se preparar para uma nova perspectiva de vida.

E isso é a tal de sustentabilidade fazendo de transformar as pessoas, as empresas e os governos!

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